its-gita-time:

Some union basics:

1. Striking is the LAST RESORT. If a union is at the place where a strike is being proposed it is because they have been bargaining for a long time and exhausted all their other options.

2. Before a strike happens, all the members vote. Everyone is very aware of the status of negotiations long before they’re made public. But if a strike is occurring it’s because an overwhelming majority voted to strike—you want almost everyone in the union to agree before you take such a huge step.

3. Strikes are difficult but necessary demonstrations of workers’ collective power. The hope is that your labor is so essential that the bosses lost profits will make them come back to the bargaining table. The bosses are hoping that the workers will starve to death.

4. Working during a strike is called scabbing. Coming in from an outside industry to do work during a strike is sometimes called crossing the picket line. Both send you straight to hell.

Bannon PT-BR

Capitalismo esclarecido e populismo de Bolsonaro aproximarão o Brasil dos EUA, diz Steve Bannon

Para ex-assessor de Trump, Facebook, Twitter e outras mídias sociais ajudaram líderes nacionalistas a ascender

29.out.2018 às 2h00


Patrícia Campos Mello

SÃO PAULO

O presidente eleito Jair Bolsonaro representa o caminho do “capitalismo esclarecido” e levará a uma maior aproximação entre o Brasil e os Estados Unidos, uma vez que será um bastião populista nacionalista numa região em que a socialista Venezuela vive uma implosão econômica e o FMI manda na Argentina. 

Essa é a opinião de Steve Bannon, ex-assessor de Donald Trump e líder do The Movement (O Movimento), grupo que promove nacionalismo econômico e populismo de direita no mundo. 

Bannon afirma que as mídias sociais foram instrumentais para a eleição de Trump e Bolsonaro. “Se não fosse pelo Facebook, Twitter e outras mídias sociais, teria sido cem vezes mais difícil para o populismo ascender, porque não conseguiríamos ultrapassar a barreira do aparato da mídia tradicional. Trump conseguiu fazer isso, Salvini e Bolsonaro também”, diz Bannon. Ele afirma que virá ao Brasil frequentemente a partir de janeiro.  


Steve Bannon, 65 - Empresário e estrategista político da ultradireita dos Estados Unidos, trabalhou como executivo da campanha de Donald Trump para a Presidência. Entre novembro de 2016 e agosto de 2017, foi assistente e estrategista-chefe da Casa Branca na gestão do republicano. Demitido, deixou o governo. 

Por que Jair Bolsonaro é o presidente certo para o Brasil neste momento?


Venho acompanhando a trajetória do capitão Bolsonaro há anos. Declarei apoio a ele porque ele representa patriotismo e liderança em um momento em que a América do Sul passa por uma fase muito difícil. é o tipo de líder que só aparece a cada duas gerações e pode recuperar o país, claramente um populista e nacionalista 


Foi noticiado que Bolsonaro será convidado para a primeira cúpula de O Movimento, que se realizará em janeiro, na Bélgica. Quem mais foi convidado? 


No momento, O Movimento está concentrado na Europa e nas eleições parlamentares europeias de maio de 2019. Não sei se o capitão Bolsonaro poderá comparecer, porque sua posse é em janeiro e ele vai estar muito ocupado, não acho que poderá viajar. Mas estamos convidado Bolsonaro por cortesia, convidamos líderes populistas e nacionalistas de todo o mundo. Estamos convidando o capitão como forma de mostrar nosso respeito por ele.

Quais as semelhanças entre Trump e Bolsonaro? Há muitas semelhanças entre Viktor Orban, primeiro-ministro da Hungria, Trump, Matteo Salvini [vice-primeiro ministro da Itália, do partido anti-imigração A Liga], na Itália, Nigel Farage [líder pró-Brexit], no Reino Unido, e Bolsonaro. 

Claramente, o populismo de centro-direita, conservador e nacionalista, é uma das tendências mais importantes do século 21. Vejo três principais pontos em comum entre esses líderes: em situações muito confusas, conseguem identificar quais são os principais problemas e articular as soluções. Por serem autênticos, eles conseguem se conectar com o público de massa, particularmente com a classe trabalhadora e classe média, de modo muito visceral. E, em terceiro lugar, eles têm carisma. 

De todos eles, Bolsonaro foi mais longe —lembro-me de que, em 2017, ele não passava de 10% nas pesquisas de opinião e acabou vencedor. Isso é extraordinário. Quando eu trabalhava no Goldman Sachs, aprendi a avaliar um líder corporativo pela qualidade das pessoas que o rodeiam. E estou muito bem impressionado com os filhos de Bolsonaro e seus assessores, além de Paulo Guedes, formado pela Universidade de Chicago.

Além disso, há muitos brasileiros vivendo no exterior, trabalhando em empresas ou no mercado financeiro, que são assessores ou apoiadores de Bolsonaro. Ele tem um programa econômico muito bem concebido e ambicioso. 

Há 18, 19 anos, estávamos no início do que seria o século latino-americano. A Argentina estava se transformando em uma potência industrial, a Venezuela era o segundo ou terceiro maior produtor de petróleo e o Brasil era um dos Brics. O que aconteceu? O capitalismo de compadrio, essa aliança entre governo e elites, levou esses países para a crise.

A Venezuela está implodindo, o FMI vai mandar na Argentina nos próximos três a cinco anos, e o Brasil, que teve a Operação Lava Jato, ainda não conseguiu sair de uma recessão, tem crescimento muito fraco, e teve também uma quebra do contrato social, com alta na criminalidade e anarquia social. 

É uma tragédia o que está acontecendo na América do Sul, e foi nesse clima que Bolsonaro cresceu e mostrou-se à altura do desafio. 


O senhor sabe bastante sobre o que está acontecendo no Brasil… 


Estou muito focado em transformar O Movimento em algo global, e Bolsonaro é parte disso. Passei muito tempo estudando o Brasil e acompanho de perto a política. No início do século 21, Brasil, China, Rússia e Índia despontavam como economias líderes no mundo. E agora o que temos? A China numa luta hegemônica com os Estados Unidos, a economia da Índia bem acelerada, a Rússia com problemas, mas ainda uma potência geopolítica e o Brasil atolado em uma crise. 

O que aconteceu com o Brasil? O problema é essa classe política permanente, que é corrupta e incompetente, só quer ganhar dinheiro. A situação é igual nos EUA e é por isso que estamos vendo essas revoltas lideradas por líderes populistas que querem tornar seus países grandiosos de novo, e Bolsonaro que quer levar o Brasil de volta a seu posto de liderança.  

Trump e Bolsonaro usam as redes sociais de forma muito eficiente e tentam evitar e desacreditar a mídia tradicional. Quão importante é o uso das mídias sociais em ciclos eleitorais e no governo? Acho que a mídia tradicional ficou muito ligada às estruturas de poder existentes e passou a reforçar essa estrutura de poder. A mídia tradicional é o partido de Davos, uma elite financeira, cultural, científica, corporativa….

Eu e o jornal onde trabalho fazemos parte da mídia tradicional… Sim, você se sente tão confortável em Londres, Washington ou Davos quanto no Brasil. Os populistas nacionalistas dizem: não queremos isso, isso é o partido de Davos, e nós somos diferentes. Se não fosse pelo Facebook, Twitter e outras mídias sociais, teria sido cem vezes mais difícil para esse populismo ascender, porque não conseguiríamos ultrapassar a barreira do aparato da mídia. Trump conseguiu fazer isso, Salvini e Bolsonaro também. 

Da mesma maneira que existe o socialismo com características chinesas, haverá o populismo com características brasileiras. Apesar do problema dos migrantes na Hungria e na Itália, ele é pequeno comparado à crise que afeta o Brasil e que será enfrentada pelo capitão Bolsonaro. A Venezuela vive uma implosão econômica que levará à anarquia ou guerra civil, e a Argentina cedeu sua independência para o FMI. O Brasil está nessa encruzilhada, depois de tantos anos de uma tentativa dessa classe política corrupta e incompetente tentando implementar o socialismo no país. 

Bolsonaro faz comentários ofensivos em relação a gays, negros e mulheres… Isso é apenas linguagem provocativa. Dei uma entrevista [à BBC Brasil] e o repórter passou um tempão lendo para mim frases polêmicas de Bolsonaro. Disse a ele: nossa, parece as entrevistas que dou sobre Trump. Os dois são provocadores. Eles são figuras mcluhanescas [que refletem ideias do teórico da comunicação Marshall McLuhan]. Bolsonaro e Trump entendem o poder da comunicação de massa. Nos anos 1960, McLuhan nos falou que a mídia iria se tornar parte não apenas da cultura mas também da política. E é verdade: hoje, a política é, na realidade, uma narrativa midiática. 

Bolsonaro usa declarações provocativas para conseguir ser ouvido em meio ao barulho, do mesmo jeito que Trump. Em junho de 2016, Trump estava em sétimo lugar nas pesquisas de opinião. Depois do discurso provocativo que fez, as pessoas o ouviram e ele disparou. O mesmo acontece com Bolsonaro. Ambos são especialistas em se conectar com as massas.

No Brasil, foi aberta uma investigação sobre o uso de WhatsApp para envio em massa de mensagens poilíticas e fake news durante a campanha eleitoral. Bom, isso deve ser resolvido pela investigação da política. Mas o que eu sei é que Orban, Salvini, Trump e Bolsonaro enfrentam a mídia. A mídia tradicional começou a ser questionada, antes ela tinha o monopólio das notícias e agora está sendo desafiada por várias fontes de informações. Eu acredito que é melhor ter mais fontes de notícias do que menos. 

Em relação às fake news, isso será resolvido. As pessoas vão conseguir saber, o público no Brasil é muito sofisticado, são consumidores sofisticados de mídias sociais. 

O que catapultou Bolsonaro não foi a tentativa de assassinato, foi a exposição de suas ideias. Até pessoas que foram alvo de seus comentários provocativos, como gays, começaram a pensar: nessa crise, talvez seja importante dar uma chance a esse cara e sua plataforma de lei e ordem. 

O filho de Bolsonaro, Eduardo, esteve em Nova York e afirmou que o senhor se dispôs a ajudar a campanha. De que maneira o senhor os ajudou? Eu fiquei muito bem impressionado com Eduardo e seus assessores. Nós quase terminávamos as frases uns dos outros, temos a mesma perspectiva em relação à economia, estabilidade, lei e ordem. Eles estão muito sintonizados com o populismo e nacionalismo, compartilhamos a mesma visão de mundo. 

Informalmente, nos mantivemos em contato, e eles têm um grande grupo de brasileiros expatriados trabalhando nos EUA. Eles não precisaram de nenhuma ajuda, são muito sofisticados.

Não precisaram de ajuda com tecnologia para comunicações? Não, são muito sofisticados. As campanhas no Brasil e na Itália têm muito poucos recursos, então as mídias sociais são um componente muito importante. 

No Brasil, havia dinheiro, porque agências eram contratadas pelos partidos para fazer disparos de WhatsApp em massa. Sim, sim, vocês têm profissionais muito qualificados nessa área. 

O senhor sempre compara Bolsonaro a Trump e Salvini. De que maneira Bolsonaro é diferente do presidente da Turquia, Recep Erdogan, e do líder filipino, Rodrigo Duterte? Muito diferente. Esses dois definitivamente têm personalidades autoritárias. E as Filipinas não tinham as instituições sólidas que o Brasil tem. Erdogan é ligado ao islamismo político. O capitão Bolsonaro não se aproxima de Duterte e Erdogan, eu o colocaria ao lado de Trump, Orban, Salvini, líderes populistas nacionalistas.

Como devem reagir os mercados à vitória de Bolsonaro? 

De forma muito positiva. Em sua vitória acachapante no primeiro turno, os mercados já haviam reagido de forma muito positiva, apesar de a Economist, o Financial Times, o Guardian, o New York Times o terem atacado o tempo todo. Acho que ele foi mais atacado até do que o Trump. 

O mercado vai continuar reagindo de forma muito positiva, ele está trazendo Paulo Guedes. Os dois podem não concordar em tudo, mas vão se entender. Ele vai cortar gastos, fazer a reforma da Previdência, estimular o empreendedorismo. Mas o Brasil deveria estar preocupado e fazer algo a respeito do capitalismo predatório da China.  

Os chineses são nossos maiores parceiros comerciais, não podemos simplesmente confrontá-los. Não se trata de confrontá-los, trata-se de aprofundar o relacionamento com os Estados Unidos. Os EUA serão um parceiro ainda mais próximo do Brasil durante o governo Bolsonaro. Num pedaço do mundo onde há socialismo radical e caos na Venezuela e crise econômica, com o FMI mandando na Argentina, Bolsonaro representa o caminho do capitalismo esclarecido e será uma liderança populista nacionalista.


https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/capitalismo-esclarecido-e-populismo-de-bolsonaro-aproximarao-o-brasil-dos-eua-diz-steve-bannon.shtml

Pelo Brasil, pela democracia e pela paz por Fernando Haddad

É preciso impedir que pesadelo se torne realidade

28.out.2018 às 2h00

Sou contra a tortura. Não posso admitir que pessoas sejam fuziladas aqui ou em qualquer lugar do planeta. Não vou fechar o Supremo ou o Congresso nem censurar a imprensa, tampouco prender ou exilar pessoas que pensam diferente de mim, ao contrário das recentes ameaças feitas pelo meu adversário.

Repudio toda e qualquer ditadura. Renovo todos os dias a minha fé na democracia e na liberdade. Respeito todas as crenças religiosas, porque todas que conheço, de uma forma ou de outra, ensinam o mandamento que desde cedo aprendi: “Ama a teu próximo como a ti mesmo”. E acho lindas as cores da bandeira do Brasil. 

Jamais imaginei que fosse necessário investir parte preciosa deste pequeno espaço que me cabe à declaração do óbvio. Mas a escalada de ódio, que nesta campanha eleitoral atingiu níveis intoleráveis, me obriga a fazê-lo. O que está em jogo é a escolha entre o nosso direito ao futuro ou o retorno a um dos períodos mais sombrios de nosso passado.

Fui ministro da Educação no governo do ex-presidente Lula, investi em todos os níveis de ensino, da creche à pós-graduação. Construí escolas técnicas e novas universidades públicas. Criei o ProUni e o Fies sem Fiador, para jovens que não podiam arcar com as mensalidades das faculdades privadas. Tudo isso fiz sem tirar a vaga de ninguém. Pelo contrário: nunca tantos brasileiros, de todas as cores e classes sociais, tiveram tanto acesso ao ensino superior.

Fui também prefeito da maior metrópole da América do Sul e governei para todos os paulistanos, com medidas inovadoras e internacionalmente reconhecidas em gestão, mobilidade urbana e respeito aos direitos humanos. Posso e vou fazer muito mais. 

Meu adversário, ao contrário, é um político profissional. Nada tenho contra os que fazem da política a sua profissão, mas repudio quem a usa como ferramenta de enriquecimento pessoal e plataforma de disseminação do ódio contra adversários, especialmente mulheres, negros e as minorias.

Ele promete combater a violência armando a população, como se ignorasse o fato de que o Brasil é o país com maior número de mortes por armas de fogo em todo o mundo. São 43 mil mortos a cada ano.

Pessoas que reagiram a um assalto, pessoas que morreram por causa de uma simples briga de trânsito ou uma discussão boba entre vizinhos, além das vítimas de disparos acidentais –inclusive crianças que brincavam com o revólver do pai. Diante dessa realidade, botar mais armas nas mãos dos cidadãos é o mesmo que dizer: “Matem-se uns aos outros”.

Algumas das mais controversas propostas de meu adversário, reveladas por ele próprio ou pelo comando de sua campanha, dizem respeito à revogação de direitos trabalhistas históricos, a exemplo do 13º salário, cobrança de mensalidades nas universidades federais e imposição de uma reforma tributária que visa beneficiar o grande capital e penalizar ainda mais a classe média e os mais pobres. 

No campo da ética, o que se confirmou, a partir de reportagem publicada por esta Folha, é que sua campanha instalou uma verdadeira fábrica de mentiras, irrigada com dinheiro de caixa 2, para tentar fraudar a eleição com base no disparo em massa de fake news contra mim e minha família. 

Por tudo isso, e pelo que o Brasil ainda representa no cenário internacional, o mundo inteiro tem os olhos postos sobre nós, para a escolha que faremos neste domingo nas urnas. Não há espaço nem tempo para indecisões. Isentar-se de tamanho compromisso é abrir mão de todos os nossos avanços civilizatórios e dizer “sim” à barbárie. 

Impedir que tal pesadelo se transforme em realidade está ao alcance de nossas mãos, na ponta de nossos dedos. É preciso apertar o 13 e a tecla “confirma”. E, a partir desta segunda, trabalhar todos os dias pela pacificação do Brasil e pela construção de um país melhor e mais justo, com crescimento econômico e inclusão social, tendo como alicerces a educação e a geração de empregos. 

Bom voto, e um Brasil feliz para todas e todos.

FERNANDO HADDAD #haddadpresidente #manunojaburu

Candidato à Presidência da República pelo PT; ex-prefeito de São Paulo (2013-2016) e ex-ministro da Educação (2005-2012, governos Lula e Dilma)

Alô, companheiros de elite

Não vamos deixar o pavor instruir nossas escolhas

2.out.2018 às 2h00 (FSP)

Na Fiesp, quando eu tinha 27 anos e era vice do Mario Amato, convidávamos outsiders para uma conversa no bar. Chamei o FHC, que estava na mídia com a pecha de maconheiro. Chamamos os 112 presidentes de sindicato, vieram 8. Ninguém topava falar com “comunista”. Alguns anos depois, fui ao Roda Viva para alertar contra a eleição do Collor, queridinho passional das elites.

Recentemente, realcei que a ida das elites à Paulista para derrubar a Dilma equivalia a “eleger” o Temer e seus 40 amigos. Ninguém da elite quis ir às ruas para pedir antecipação de eleições. Erraram feio, como no passado, ou como quando deram as chaves da cidade ao Doria. Quanta ingenuidade.

Agora, estremeço ao ouvir amigos, sócios e metade da família aceitando a tese de que qualquer coisa é melhor do que o PT. Lá vamos nós, de novo. As elites avisaram que 800 mil empresários iriam para o aeroporto assim que Lula ganhasse. Em seguida, alguns dos principais empresários viraram conselheiros próximos do homem.

Sabemos que, em vencendo Haddad, boa parte da Faria Lima e da Globo se recordará subitamente que foi amiga de infância do Fernandinho –“tão boa pessoa, nada a ver com o Genoino, gente!”.

A reação de medo e horror da esquerda, Ciro incluso, é ignorante. Vivemos, nós da elite, atrás de muros, cercados de arames farpados e vidros blindados, contratando os bonzinhos das comunidades para nos proteger contra favelados. Oras, trocar vigias com pistolas por seguranças com fuzis é um avanço? Ou é melhor aceitar que o país é profundamente injusto e um lugar vergonhoso para mostrarmos para amigos estrangeiros?

Vamos continuar na linha do projeto Marginal, plantando ipês lindos para desviar a atenção do rio?

​Não compartilho com os pressupostos ideológicos do PT e —até pouco— fui filiado a um partido só, o PSDB. Nunca pensei em me filiar ao PT, nunca aceitaria envolvimento num Conselhão de Empresários, por exemplo.

Apenas reconheço que as elites deste país sempre foram atrasadas, desde antes da ditadura, e nada fizeram de estrutural para evitar o sistema de castas que se instalou.

Nenhum de nós sabe o que é comprar na C&A e ser seguido por um segurança para ver se estamos para roubar, por sermos de outra cor de pele. Todos nós nos anestesiamos contra os barracos que passamos a caminho de GRU, com destino à Champs Élysées.

Este é um país que precisa de governo para quem tem pouco, a quase totalidade dos cidadãos. Nós da elite, aliás, sabemos nos defender. Depois do susto, o dólar cai, a Bolsa sobe, e voltamos a crescer. Estou começando três negócios novos neste mês.

Qual de nós quer pertencer ao clube dos países execrados, como Filipinas, Turquia, Venezuela? É um clube subdesenvolvido que foi criado à força, mas democraticamente, bradando segurança e autoridade forte. Soa familiar?

Quem terá coragem, num almoço da City de Londres, de defender a eleição de um capitão simplório, um vice general, um economista fraco e sedento de poder, e novos diretores de colégio militares, com perseguição de gays, submissão de mulheres e distribuição de fuzis à la Duterte?

Lembrem-se desta frase do Duterte, a respeito de uma australiana violentada nas Filipinas: “Ela era tão bonita —eu deveria ter sido o primeiro”. Impossível imaginar o Bolsonaro dizendo isso?

Colegas de elite, acordem. Não se vota com bílis. O PT errou sem parar nos 12 anos, mas talvez queria e possa mostrar, num segundo ciclo, que ainda é melhor do que o Centrão megacorrupto ou uma ditadura autoritária. Foi assim que a Europa inteira se tornou civilizada. Precisamos de tempo, como nação, para espantar a ignorância e aprendermos a ser estáveis. Não vamos deixar o pavor instruir nossas escolhas. O Brasil é maior do que isto, e as elites podem ficar, também. Confiem.

RICARDO SEMLER

Empresário, sócio da Semco Style Institute e fundador das escolas Lumiar; ex-professor visitante da Harvard Law School e de liderança no MIT (EUA)

#haddadpresidente #manunojaburu


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